Como destacar sua mensagem num mar de vozes?

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“Vivemos o contexto de excesso de informações por diversas mídias – tradicionais e digitais – o tempo todo”.

 

É dessa forma que Emiliana Pomarico define o cenário da comunicação corporativa, no qual a busca pela atenção dos públicos é uma disputa acirrada entre as empresas. Relações Públicas e gerente de Programas Educacionais da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Emiliana afirma que a alternativa das organizações é encontrar mensagens que toquem seus públicos, valorizando os vínculos daqueles que interagem com as marcas.

Assim, aponta-se o storytelling, técnica de contar histórias para engajar, conectar, informar, emocionar e fortalecer o relacionamento com o público. O storytelling cria possibilidades para as marcas estreitarem seus laços com seus colaboradores e clientes, dando voz a outras pessoas que fazem parte da trajetória da organização, como uma forma de dar vida a uma marca. Para isso, os recursos transmídias caem muito bem, afinal ajudam a não só contar uma história, mas também a mostrar a mensagem. Quer saber mais? Confira a entrevista abaixo.

 

Com tantas vozes de marcas, especialmente on-line, a atenção dos públicos torna-se um bem valioso. Como o Storytelling pode ajudar a neutralizar os demais estímulos que os atingem fazendo com que os públicos se conectem com a marca e a empresa?

Vivemos o contexto de excesso de informações por diversas mídias – tradicionais e digitais – o tempo todo. Mas, em meio a tanta produção e propagação, temos dificuldades em absorvê-las, em discernir suas relevâncias e em dar algum sentido a elas. O que sentimos muitas vezes é a ausência de mensagens que sejam capazes de nos tocar e de nos transformar. Com tantas vozes, como é possível a empresa criar narrativas que se diferenciem e que sejam capazes de chamar a atenção dos seus públicos? Em alguns casos, dependendo do objetivo, essa diferenciação pode ser conquistada com o storytelling, principalmente daquele tipo que chamo de micronarrativas afetivas – histórias individuais e reais daqueles que fazem parte da história de uma organização. Por meio dessas histórias podem ser estimuladas a criatividade, a leveza e o humor – promover a humanização da mensagem.

 

Estudos nos trazem a importância do colaborador se conectar com a empresa, sentindo-se representado na mensagem. Qual a importância de dar espaço e voz a outros personagens de uma empresa?

Cada campanha ou ação de comunicação tem uma finalidade específica. Em determinados casos, a voz da alta liderança é a mais propícia para a transmissão da mensagem, aquela que vai chamar a atenção e gerar as ações esperadas. Porém, há muitos casos que demonstram que determinadas práticas de comunicação, sejam elas internas ou externas, podem ser efetivas quando os próprios colaboradores da organização forem reconhecidos nelas. Eles apontam sobre a importância em dar voz a essas pessoas, pois, além de se sentirem reconhecidas pela organização, na medida em que participam, são envolvidas e têm suas histórias narradas pela empresa, trazendo a elas um significado claro sobre sua atuação e importância para a organização.

Acredito que todas as pessoas possuem ideias, pontos de vista e histórias de grande valia. O cotidiano é de singular importância, pois organiza as experiências existentes na cultura organizacional. O dia a dia de trabalho é a mediação que constrói a história de qualquer organização. E as ações que utilizam dessas narrativas geram muito mais facilmente identificação, compreensão e emoções, pois todos nós somos histórias.

 

“Quem não se identifica com pequenos acontecimentos do dia a dia? Somos a soma desses inúmeros momentos. As histórias estão na nossa essência e vem carregadas de afetos, geram reflexões, emoções, inspirações e transformações”.

O storytelling apresenta possibilidades estratégicas para comunicar com o mercado também. Como a prática pode ajudar no diálogo com os clientes, impactando na percepção de marca e na projeção de produtos ou serviços?

A prática do storytelling pode ser efetiva para ações de venda de produtos, justamente porque as histórias – sejam elas reais ou ficcionais – despertam as emoções e o interesse e geram identificação e compreensão em relação ao conteúdo. Por meio das histórias compreendemos o mundo e criamos significados para nossa existência. Com as histórias é possível mostrar não apenas o que é o produto, a marca ou o serviço, mas também comunicar sua origem, sua essência, sua causa e seu propósito.  Por isso, é tão importante que a marca se conscientize das histórias que existem dentro e ao redor dela.

 

No ambiente on-line, vemos a importância da oferta de conteúdo relevante e personalização da mensagem. Por meio da segmentação dos públicos, baseada nos seus interesses e tráfego na internet, é possível adequar o conteúdo de forma assertiva. Nesse contexto digital, qual a importância desses pontos para uma boa ação de storytelling?

Emiliana Aberje lattes

Emiliana Pomarico, especialista em storytelling, representará a Aberje no próximo evento do Comuninter.

Acredito que é preciso mudar a comunicação do modo de informação para o modo de interação e compreensão das qualidades, competências, comportamentos e sentimentos. É preciso entender também que comunicação não é imposição, e sim troca, inspiração e transformação, não necessariamente acontecendo de forma intencional, consciente e controlada. Sendo assim, para uma ação de storytelling ser eficaz, é fundamental que criem, em primeiro lugar, espaços para a escuta e para a participação. Não pode ser uma imposição em que a pessoa deva contar a sua história, e sim uma ação que inspire a pessoa a querer participar. Para que isso ocorra, outro ponto importante a se pensar é que essas campanhas de comunicação utilizando o storytelling devem estar embasadas nos objetivos da organização com os públicos. Por que contar essas histórias? Como elas serão contadas? É preciso ter este olhar para entender as sutilezas e, a partir disso, criar os conceitos através de narrativas que justificam a realização da campanha, dando às pessoas um significado, gerando envolvimento, entendimento, emoção, satisfação e ação, tanto para participarem, como para interagirem.

 

Por fim, Emiliana, você utiliza o termo “reencantamento” nos seus trabalhos, como uma prática importante para as empresas adotarem com seus colaboradores por meio da comunicação. Gostaria que você comentasse sobre o potencial da comunicação humanizada e afetiva em fortalecer laços e projetar a marca no mercado.

O suposto desencantamento da comunicação é resultado deste contexto de excesso de informação: fragmentado, dinâmico, efêmero, abundante, de exposição constante a mensagens desinteressantes, que não encantam e são rapidamente transformadas em lugares-comuns. O desencantamento da comunicação é uma consequência desses novos tempos. Pois, em um dia a dia tão cheio de excessos, praticamente não temos tempo para vivenciar experiências diferenciadas, marcantes e afetivas.

O reencantamento da comunicação seria, portanto, entender que novos tempos exigem novas narrativas. Novas narrativas que não errem na criação de mais excessos de informações irrelevantes, repletas de mensagens quantitativas, para fins apenas de produtividade e de economia de tempo. É preciso repensar as comunicações com narrativas que tentem conquistar a interação mais humana, para que sejam narrativas afetivas e efetivas.

 

Por Marília Néspoli
Assessora de Comunicação

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